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Sunday, January 28, 2007

Alcoolismo

O que é ALCOOLISMO?


O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool;

é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante, de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos.
Assim o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamente para maior precisão, é necessário apontar qual ou quais distúrbios estão presentes, pois geralmente há mais de um.

O que é estar alcoolizado???

O indivíduo é considerado alcoolizado se estiver com taxa a partir de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue.

A taxa de álcool no sangue varia de acordo com o peso, altura e condições físicas de cada um. Mas, em média, a pessoa não pode ultrapassar a ingestão de duas latas de cerveja ou duas doses de bebidas destiladas, se não, já está considerado alcoolizado.

Com
0,6 g/litro
de sangue,
o risco de
acidente é
50% maior
Com
0,8 g/litro
de sangue,
o risco de
acidente é
quatro vezes maior
Com
1,5 g/litro
de sangue,
o risco de
acidente é
25 vezes maior


Conheça os efeitos do álcool

Quantidade de álcool por litro de sangue (em gramas)*

Efeitos

0,2 a 0,3 g/l - equivalente a um copo de cerveja, um cálice pequeno de vinho, uma dose de uísque ou outra bebida destilada

As funções mentais começam a ficar comprometidas. A percepção da distância e da velocidade são prejudicadas

0,3 a 0,5 g/l - dois copos de cerveja, um cálice grande de vinho, duas doses de bebidas destiladas

O grau de vigilância diminui, assim como o campo visual. O controle cerebral relaxa, dando sensação de calma e satisfação

0,51 a 0,8 g/l - três ou quatro copos de cerveja, três copos de vinho, três doses de uísque

Reflexos retardados, dificuldades de adaptação da visão a diferenças de luminosidade, superestimação das possibilidades e minimização de riscos e tendência à agressividade

0,8 a 1,5 g/l - a partir dessa taxa, as quantidades são muito grandes e variam de acordo com o metabolismo, com o grau de absorção e com as funções hepáticas de cada indivíduo

Dificuldades de controlar automóveis, incapacidade de concentração e falhas na coordenação neuromuscular

1,5 a 2,0 g/l

Embriaguez, torpor alcoólico, dupla visão

2,0 a 5,0 g/l

Embriaguez profunda

5,0 g/l

Coma alcoólica


* Tomando-se por base a ingestão de álcool por um indivíduo que pese 70 kg
Fontes: Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e médicos.





Conteúdo das principais bebidas em nosso meio

Bebidas
Concentração de álcool / gramas de álcool
Unidades de álcool

1 lata de cerveja - 350 ml
5% = 17 gramas de álcool
1,5

1 dose de aguardente - 50 ml
50% = 25 gramas de álcool
2,5

1 copo de chope - 200 ml
5% = 10 gramas de álcool
1

1 copo de vinho - 90 ml
12% = 10 gramas de álcool
1

1 garrafa de vinho - 750 ml
12% = 80 gramas de álcool
8

1 dose de destilados (uísque, pinga, vodca etc.) - 50 ml
40%-50% = 20g - 25g de álcool
2-2,5

1 garrafa de destilados - 750 ml
40% - 50%+300g-370 gramas de álcool
30-37




Riscos à saúde x consumo de álcool






Risco
Mulheres
Homens

Baixo
Menos de 14 unidades por semana
Menos de 21 unidades por semana

Moderado
15 a 35 unidades por semana
22 a 50 unidades por semana

Alto
Mais de 36 unidades por semana
Mais de 51 unidades por semana Voltar para Home




As fases do ALCOOLISMO

Fase 1: (Fase social, sem dependência física, apenas dependência Emocional). Inicia-se na primeira vez que se bebe.

O primeiro sintoma é a dependência Emocional. O desenvolvimento emocional pára e a pessoa torna-se pouco tolerante. Como geralmente isso acontece na infância ou na adolescência, a mudança emocional geralmente não é percebida, pois confunde-se com malcriação, infantilidade ou temperamento forte. A partir daí, a doença desenvolve-se mais ou menos devagar, dependendo da predisposição orgânica.

Fase 2: (Fase social, sem dependência física, apenas dependência emocional). O organismo modifica-se: tem-se a tolerância aumentada (bebe-se mais que na fase 1). Não há dependência física, apenas emocional.

Fase 3: (Fase problemática, com dependência física e emocional). Bebe-se muito (altíssima tolerância). O beber torna-se um problema. Muitos problemas emocionais, ressacas constantes, problemas em decorrência da bebida , problemas familiares, problemas de relacionamento. Há o inicio da síndrome de abstinência, começam as "PARADAS ESTRATÉGICAS", pode-se haver internações. Perda de controle.

Fase 4: (Fase problemática, com dependência física e emocional). Bebe-se muito pouco, menos que na fase 1. Inicia-se a atrofia do cérebro. Pode-se ter delírios. Pode-se ter as mãos trêmulas por períodos excessivamente longos. Problemas físicos e emocionais extremos. Pode-se ter Esquizofrenia. Muitas vezes confunde-se com PMD (psicose maníaco-depressiva). Há poucas expectativas de recuperação física. Perdas extremas.



Relação de CAUSA E EFEITO

As causas podem ser as mais variadas possíveis:

• Conflitos emocionais ou pessoais

• Dificuldade escolares, sociais e/ou profissionais

• Acréscimo ou perda de um dos membros da família

• Crises familiares

• Consumo de bebida para o controle da ansiedade

• Consumo de bebida para fuga de problemas

• Separações, divórcios ou término de relacionamento amorosos

• Ausência de pais

• Filhos de alcoólatras: aprendizagem de comportamento

• Pressão Social ("Quem não bebe não é macho!")

Embora o sintoma traga sérios prejuízos e desvantagens para a vida do dependente, o alcoolismo tem uma função na vida deste. Podemos dizer que a pessoa "aprendeu a funcionar com o álcool ", seja qual for a causa. Se o álcool é retirado, como o dependente vai funcionar (psicológica e fisicamente)?

Fica a questão: " Como funcionar sem a bebida ?". Daí a dificuldade de abandonar o hábito de beber, embora a pessoa perceba as conseqüências negativas em sua vida.

Mas existem Fatores Protetores que podem evitar a continuação do hábito ou as recaídas:

• Boas oportunidades de trabalho

• Boas oportunidades educacionais

• Recursos da Comunidade: serviços sociais, lugares com o número reduzido de traficantes, tratamento clínico e psicológico, grupos de auto-ajuda (AA,NA) , etc.

• Família: amor materno e paterno, relacionamento conjugal positivo, moradia definida, bom relacionamento.

Nem sempre estes fatores existem simultaneamente. Em alguns casos basta um destes itens para motivar o dependente para tornar-se abstinente.


As Conseqüências Drásticas do ALCOOLISMO

Os principais sintomas do alcoolismo são a deterioração psicológica e física do viciado. À medida que a deterioração psicológica avança, o indivíduo vai perdendo sua capacidade mental, torna-se descuidado e impontual e não pode concentrar-se suficientemente para terminar um trabalho que não gosta de fazer.

A deterioração física freqüentemente começa por tornar gordo e flácido o alcoólatra, mas, nos últimos estágios da doença, ele pode perder peso rapidamente, devido à subnutrição e os efeitos do álcool no fígado. Quanto mais álcool é ingerido, mais irritado se torna o revestimento do estômago e dos intestinos, as células do fígado morrem e são substituídas por um tecido fibroso (cirrose hepática), a nutrição inadequada pode afetar os músculos cardíacos e os nervos dos braços e pernas. Além disso, como sua resistência orgânica é enfraquecida pelo álcool, os alcoólatras tendem à pneumonia e à tuberculose e a qualquer outro tipo de infecção.

O metabolismo do álcool afeta o balanço dos hormônios reprodutivos no homem e na mulher. No homem o álcool contribui para lesões testiculares o que prejudica a produção de testosterona e a síntese de esperma. Já com cinco dias de uso contínuo de 220 gramas de álcool os efeitos acima mencionados começam a se manifestar e continua a se aprofundar com a permanência do álcool. Essa deficiência contribui para a feminilização dos homens, com o surgimento, por exemplo, de ginecomastia (presença de mamas no homem).

Talvez o mais conhecido dos sintomas do alcoolismo seja o delirium tremens - uma série de alterações agudas e subagudas que ocorrem nos alcoólatras crônicos. Começa com agitação e insônia e se desenvolve em delírio depois de um ou dois dias. Seus sinais mais terríveis são as alucinações que freqüentemente tomam a forma de animais, dos quais a vítima tenta fugir.



Existe CURA?

É o que a medicina afirma, mas a maior dificuldade das pessoas é entender como isso funciona.

Alguns acham que é falta de vergonha; outros, que é falta de força de vontade; outros, até, que é coisa do "demônio", outros acham que leva algum tempo para desenvolver tal "vício". A verdade é que algumas pessoas nascem com o organismo predisposto a reagir de determinada maneira quando ingerem o álcool.

Aproximadamente dez em cada cem pessoas nascem com essa predisposição, mas só desenvolverão esta doença se entrarem em contato com o álcool.

Portanto, na prática podemos afirmar: NÃO HÁ CURA, mas temos como estacionar a doença.

O alcoolismo é uma doença incurável, de determinação fatal e progressiva até mesmo em períodos de abstinência, entretanto, existem tratamentos para interromper o crescimento da doença, como veremos a seguir.

- Tratamentos psicossociais: As psicoterapias descritas mais adiante têm sido usadas no tratamento dos transtornos causados pelo uso do álcool.

- Terapias comportamentais cognitivas: Existem muitas evidências de que os tratamentos comportamentais cognitivos que objetivam a melhora do autocontrole e das habilidades sociais levam consistentemente à redução do alcoolismo. Estratégias de autocontrole incluem estabelecimento de metas, automonitorização, análise funcional dos antecedentes do alcoolismo e possibilidades de aprendizagem de alternativas para enfrentamento de situações conflitivas. O treinamento das capacidades sociais concentra-se em desenvolver habilidades para formar e manter relações interpessoais mais estáveis, positividade e recusa para aceitar bebidas.

- A terapia comportamental individual e a conjugal têm demonstrado efetividade para pacientes com transtornos causados pelo uso do álcool. A abordagem mais estudada do tratamento de pacientes com transtornos causados pelo uso do álcool é a abordagem do reforço da comunidade, que utiliza princípios comportamentais e, geralmente, inclui terapia conjunta, treinamento para encontrar trabalho, aconselhamento enfocado em atividades sociais e recreacionais livres de álcool, monitorização do dissulfiram e clube social livre de álcool.

- As intervenções breves, em geral, são oferecidas por uma a três sessões e incluem uma avaliação abreviada da gravidade do alcoolismo e de problemas relacionados e fornecimento de feedback motivacional, além de aconselhamento, são elas:

a) são tipicamente mais efetivas (em termos de uso do álcool, saúde geral ou funcionamento social);

b) muitas vezes têm eficácia comparável à de programas tradicionais mais intensos e a mais longo prazo;

c) aumentam a efetividade do tratamento posterior. Mesmo as intervenções que sejam muito breves (isto é, de algumas horas) podem ter algum efeito positivo. Intervenções breves são utilizadas tipicamente (e têm mais sucesso) para pacientes afetados menos gravemente e que não tenham recebido tratamento anterior para um transtorno com o álcool.

- Terapia conjugal e familiar: o estado do relacionamento do paciente com familiares ou outras pessoas igualmente significativas pode ser fator crítico no ambiente pós-tratamento para pacientes que sejam casados ou que vivam com a família.

Estudos também indicaram que o envolvimento do cônjuge no tratamento leva à melhora dos resultados conjugais e do uso do álcool precocemente no período pós-tratamento, que os pacientes em terapia conjunta têm menor probabilidade de abandonar o tratamento, e que a terapia com o intuito de melhorar o casamento como um todo parece funcionar melhor que a terapia de casais concentrada rigidamente nos problemas relacionados ao álcool (terapia com envolvimento mínimo do cônjuge ou apenas concentrado no álcool).

O Mato Grosso Saúde dispõe de profissionais e serviços especializados.
Para maiores informações consulte a REDE CREDENCIADA através do site www.matogrossosaude.mt.gov.br ou pelo 0800 647 7770.

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